A Folha da Região começa hoje uma série de entrevistas com prefeitos da região para saber o que eles pensam sobre várias questões com que o próximo presidente da República eleito terá que se preocupar. O prefeito de Araçatuba, Dilador Borges (PSDB), é o primeiro entrevistado.
Para o tucano, a saúde é um problema crônico no Brasil, embora o SUS (Sistema Único de Saúde) seja um modelo bom, pois falta dinheiro para investimentos. Segundo Dilador, mesmo sendo o ente da federação que menos arrecada, os municípios cada vez mais arcam com responsabilidades na área da saúde.Confira trechos da entrevista que Dilador concedeu para a Folha da Região:
ECONOMIA“O problema da economia hoje é global. Como somos um país emergente, sofremos mais na questão do desemprego. O momento é crítico. Várias empresas fecharam, muitas passam por dificuldade e podem vir a fechar. Tivemos um ano praticamente morto na questão de investimento. O dólar subindo por um lado é bom porque as empresas exportadoras têm a possibilidade de exportar com a desvalorização da nossa moeda. Mas são poucas empresas assim, o que agrava o desemprego. A perspectiva de mudança de governo também faz todo mundo parar de investir. Os empresários não sabem o que vai acontecer, quem vai ser eleito presidente e quais rumos ele vai tomar. A máquina está muito pesada, gastando mais do que arrecada. Esse é o grande problema da nossa economia. Veja a questão dos municípios. Estamos aqui buscando o equilíbrio das obrigações fixas para ver o que sobra para investimento. Quase não sobra nada. O novo presidente e o novo governador precisarão readequar isso. Nós temos que apertar o cinto”.
HABITAÇÃO“Tem que ser feito financiamento, mas com um modelo diferente. Tem que fazer correções. Outro dia eu vi que em uma cidade do Norte tem 3 mil casas (com as obras) paralisadas, porque foram levantadas em pântanos. Não vão ser habitadas. Na nossa cidade mesmo temos questões a ser corrigidas, como casas alugadas e fechadas. Muita gente vivendo em casas alugadas (de programas habitacionais), mas as pessoas não têm coragem de denunciar por medo de ir para rua. Mas sou favorável ao financiamento público de moradias para melhorar as condições de vida da população. Porém, precisa ser com muita responsabilidade. Você viu lá em São Paulo (o desabamento do edifício no Largo do Paissandu), que tinha bandido ganhando dinheiro com a miséria dos outros. Várias pessoas declararam que pagavam R$ 300 de aluguel em um lugar que não tinha energia e segurança, tanto é que aconteceu o que aconteceu. É preciso punir. Vários conjuntos habitacionais de Araçatuba têm problemas de asfalto e qualidade de moradia. Liberaram a torto a direito (novos conjuntos) obras de péssima qualidade e levaram vantagem nisso”.
REFORMA AGRÁRIA“Não sou contra a reforma agrária. Sou contra o modelo que existe hoje de se fazer invasões, quebradeira, colocar fogo, dar prejuízo. A União deve comprar as terras, indenizar os proprietários e dar a terra para quem produz. Sei de gente que pega título e está assentamentos que não sabe nem colocar o cabo em uma enxada. Quer terra para quê? Estão mais interessados em ter área para fazer rancho para ir no fim de semana. Se for na beira do rio, melhor ainda. A terra tem que ser para quem sabe cuidar da terra. Esse modelo não serve. Não adianta só dar terra. Quantas pessoas conhecemos que nasceram na ‘terra’ e hoje a estão abandonando? Não tem plano de produtividade, não tem assistência. Muitos que vivem nos nossos assentamentos levam uma vida difícil porque não têm assistência. Agora nós estamos trabalhando (para ajudá-los). Sei que é difícil. Sou filho da terra”.
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