Polícia de Goiás investiga possível rede criminosa que teria ajudado Lázaro | Jornal Nacional | G1

Polícia de Goiás investiga possível rede criminosa que teria ajudado Lázaro

A polícia de Goiás está investigando a existência de uma rede criminosa que teria ajudado Lázaro Barbosa a se esconder.

A morte de Lázaro Barbosa Sousa, de 32 anos, não põe fim ao trabalho da polícia. Agora começam as investigações para apurar a sequência de crimes cometidos por ele. A força-tarefa também quer saber quem ajudou o criminoso durante os 20 dias em que ele ficou escondido na mata e para quem trabalhava.

“Ele está parecendo mais um executor, um jagunço que, pela psicopatia, pelo sadismo, pela violência, periculosidade acabou ficando mais exposto. Os meios cruéis dele se sobressaíram”, afirmou Rodney Miranda, secretário de Segurança de Goiás.

A força-tarefa já tem algumas informações concretas. Sabe que Lázaro teve ajuda para se esconder em uma fazenda na semana passada.

Na quinta (24), foram presos o dono da propriedade, Elmi Caetano Evangelista, de 74 anos, e o caseiro Alain Reis de Santana, de 33 anos. O caseiro foi solto da cadeia, contou que era ameaçado por Lázaro, por isso não procurou a polícia antes.

“Ele falou: Ó, se você falar para alguém ou pelo menos eu desconfiar que tu está falando para alguém que eu estou aqui atrás, eu vou pegar tu e a tua família”, contou Alain.

Em depoimento, o caseiro disse que Lázaro dormiu na fazenda cinco dias, que o viu por diversas vezes, inclusive com uma arma e um celular, e que Lázaro fazia refeições diariamente no local com o consentimento do dono. O fazendeiro, continua preso.

No celular dele, a polícia encontrou uma mensagem de voz que Elmi Caetano mandou para um amigo.

“Ele está dormindo lá naquele barraco onde a mãe dele morava”, disse o fazendeiro.

Elmi Caetano tinha sido patrão de Eva Maria de Sousa, a mãe de Lázaro. Segundo as investigações, Lázaro conhecia muito bem a região, caminhava pelos rios para não ser farejado pelos cães e tinha uma rede de apoio. Ele contava com pessoas que deram abrigo, comida e, até mesmo, dinheiro ao bandido durante a fuga. Com Lázaro, foram encontrados nesta segunda-feira (28) R$ 4.500.

“Alguns achavam que se tratava de um lobo solitário e, na verdade, tem alguém que faz parte de uma quadrilha muito bem montada. Os especializados na área de informação estão levantando todos os telefonemas, os cruzamentos de dados e, como tal, já chegamos a um fazendeiro, chegaremos também a outras pessoas porque parece que existe, além do envolvimento do fazendeiro, existe também o envolvimento de pessoas que moram nas cidades ali ao redor da área que ele estava se refugiando”, revelou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado.

Foram quase três semanas de buscas ao homem condenado por muitos crimes.

“Contando Goiás, Distrito Federal e Bahia são mais de 30. Já se tem esses crimes que são conhecidos: o quádruplo homicídio lá no Distrito Federal, a tripla tentativa em Goiás, o sequestro da família em Goiás também, na região, e tem outros sete latrocínios, assassinatos em aberto. Esses crimes contra a vida são para assegurar algum ganho patrimonial, que pode ter relação também com conflito fundiário”, explicou o secretário de Segurança, Rodney Miranda.

Isso poderia explicar as invasões de chácaras e ameaças que Lázaro Barbosa fazias aos produtores da zona rural.

No IML de Goiânia, peritos coletaram amostras de DNA de Lázaro Barbosa. Esse material genético é importante para saber se os lençóis, o serrote, os colchões apreendidos pela polícia nos locais onde o criminoso teria passado foram mesmo usados por ele. O DNA de Lázaro também poderá ajudar a esclarecer outros crimes.

A coleta de DNA em Goiânia vai ajudar a desvendar crimes que podem ter sido cometidos pelo bandido.

“Mesmo que agora ele já esteja morto, é possível que tenha crimes anteriores, ainda sem suspeitos, sem autoria, sem identificar autoria para que se possa fazer um cotejo se foi ele ou não o autor daquela situação”, afirmou a delegada Karina Duarte.

Lázaro morreu numa troca de tiros com os agentes da força-tarefa. O boletim de ocorrência diz que os policiais atiraram 125 vezes durante o confronto e 39 disparos atingiram o bandido. Na tentativa de fuga, ele usava um agasalho da PM do Distrito Federal. Em nota, a corporação informou que o casaco não faz mais parte do uniforme desde 2013.

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