Preços de medicamentos e insumos disparam durante a pandemia da Covid-19 – Folha da Região

Preços de medicamentos e insumos disparam durante a pandemia da Covid 19 – Folha da Região

Os medicamentos e insumos usados para o enfrentamento da Covid-19 aumentaram abusivamente com o início da pandemia do Coronavírus.

Pesquisa realizada pela Folha da Região nos hospitais da Santa Casa de Birigui, Unimed Araçatuba e Unimed Birigui encontrou aumento um de 12.816% (doze mil, oitocentos e dezesseis por cento) no Midazolam, que subiu de R$ 1,20 para R$ 155,00. O medicamento é um sedativo injetável para pacientes adultos.

Também registram reajuste abusivo o Fentanil (anestesia), que subiu de R$ 5,00 para R$ 68,50; do Propofol (anestésico, injeção endovenosa) subiu de R$ 8,50 para R$ 47,00. O relaxante muscular (para ser usado com anestesia) Rocurônio subiu de R$ 11,50 para R$ 166,00.

“Mesmo com demanda crescendo, não há justificativa para aumentos dessa magnitude, alguns acima de 10.000%. É resultado de um mercado concentrado que chamamos em economia de oligopolizado, ou seja, com poucas empresas produzindo e concentrando a oferta de um determinado produto, que gera reduzida concorrência e geralmente preços mais elevados, impactando no bolso do consumidor”, disse o professor de Economia, Marco Aurélio Barbosa de Souza, especialista em Economia Regional.

Segundo ele, outro aspecto a destacar é que alguns insumos estratégicos para produção de certos medicamentos são importados e produzidos em poucos países. “Essa situação também encarece o custo de produção”, frisou.

Na Santa Casa de Birigui uma das últimas compras registrou aumento nas máscaras descartáveis: salto no valor R$ 4,14 para R$ 15,00 (caixa com 50 unidades). Já as máscaras N95 subiram de R$ 1,60 para R$ 3,10 a unidade. A ampola do Noradrenalina (que atua promovendo maior taxa de fornecimento de oxigênio para as células) aumentou de R$1,50 para R$ 7,00.

Segundo o advogado Fernando Risolia, como é uma relação comercial, quanto mais o produto é desejado, mais ele aumenta o preço. Não se aplica, nos preços citados acima, o Código de Defesa do Consumidor, já que os hospitais não são consumidores finais.

“Dependendo do caso, cabe ação judicial alegando que a empresa fornecedora do insumo subiu exponencialmente o produto. Após a compra caberia uma ação pedindo reembolso após provar aumento abusivo dos preços”, disse o advogado.

O presidente da Unimed Araçatuba, Fabrício Teno Castilho Braga, disse que os preços estão diferentes dos praticados desde o início da pandemia, com luvas, aventais e outros insumos.

Já com relação aos medicamentos, a Unimed está importando alguns produtos. “Os medicamentos tiveram mais aumento nessa segunda onda do vírus. No início deste ano percebemos um aumento grande nas medicações. O Midazolan, por exemplo, pagávamos R$ 3,50 e atualmente custa R$ 49,00”.

“Estamos fazendo importações via Federação das Unimedes, além da importação  individualizada da Unimed Araçatuba. A importação acaba sendo mais barata, porém demora um pouco mais para chegar no país. Vivemos uma fase de muita dificuldade”, falou o médico.

“A falta destes medicamentos influencia diretamente na assistência prestada ao paciente, pois são imprescindíveis para um melhor atendimento”, disse gerente de enfermagem da Santa Casa de Birigui, Bruna Perassoli Teixeira.

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